sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O sono da razão produz monstros

(O Sono da Razão Produz Monstros - Goya)

Me deixa, porque meus demônios estão querendo se alimentar.
(Karim Said - OZ)

domingo, 6 de janeiro de 2013

Pedofilia



Sou um sacerdote
Sou um pervertido
Há tenra idade soube que tinha vocação para Deus
Há tenra idade soube que tinha outras
Outras debilidades
Desenvolvi a primeira
Nunca a segunda
Nunca
Não realizei outra coisa que não boas obras em toda a minha vida
Entretanto, nunca vi Deus
Até que vi aquele menino
Quatorze anos
Seu corpo tão perfeito
Angélico
Puro
Tive que tocá-lo.
(OZ)

domingo, 30 de dezembro de 2012

O que de fato nos alicia?


Não preciso dizer
As drogas são as únicas coisas que aliciam
Algumas pessoas injetam trabalho
Outras cheiram dinheiro
Algumas aplicam jogo
Tem aqueles que engolem uns sanduiches, bons vinhos, uísques
Tem muita gente que se vicia em amor e,
como qualquer diabo na rua,
sempre precisa de mais uma dose...
Só mais uma dose cara!!!
(OZ)

sábado, 22 de dezembro de 2012

Abandonado



Eu não vivo muito em função de mim
Dizem que cada um desenvolve um jeito todo particular de se ignorar
Acho profunda essa ideia
Eu fico em casa e me ignoro
Corrijo provas e me ignoro
Trabalho exaustivamente e me ignoro
Amo a todos para não amar ninguém
Me protejo do sofrimento
Dirijo e vejo pessoas
Não quero que elas me vejam
Dirijo sozinho
Às vezes acompanhado
Às vezes tenho a companhia que quero ter
Procuro nas ruas aquele abraço que eu sei muito bem onde está.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Paradise City



"Take me down to the paradise city
Where the grass is green and the girls are pretty
Take me home (oh, won't you please take me home?)"
(Paradise City - Guns)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles.
(Eclesiastes 9,12)

Céu

"Pode inventar verbos? Quero dizer-te um: ' - Eu te céu'. Assim minhas asas se estendem enormes para amar-te sem medidas."
(Frida Kahlo)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

CONTINHO ERÓTICO




CONTINHO ERÓTICO

Ela não sabia muita coisa sobre sexo. Só transava com ele. Faltava, então, uma segunda ou terceira fonte de pesquisa. Transava apenas com ele e apenas uma vez por mês. Parecia menstruação: acaba tão logo chegava. E, como menstruação, quando atrasava, ela já ficava preocupada. "O que poderia estar acontecendo? Por que não veio?" Ficava inchada, sentia dores, seu corpo reclamava aquele homem. Não, nem era o homem: seu corpo reclamava aquele corpo dentro do seu. O corpo daquele homem, que achava que "Nietzsche" era nome de alguma comida exótica.
Mas ele não veio. E o desejo, todo ele amarrotado nas gavetas. E então, então ela entendeu que era o tempo das dores. Dores do corpo e da alma. Como lidaria com isso? Porque, no desmedido da cama, se deu conta de que também não sabia muito sobre alma. Nem sobre dores. Afinal, quando elas apareciam, logo vinha ele com suas mãos, dedos e boca, língua e suores. O corpo, duro, sempre pronto a atravessá-la. Ele vinha como um presente que, sem passado, adiava a alma pro futuro.
Mas ele não veio e doeu. Então ela chorou. Muito. Nunca havia se molhado tanto assim. Assustada, apagou a luz e fugiu pra debaixo da cama, esperando aquilo tudo passar.

[Geruza Zelnys e Cleberson Dias]

UM POEMINHA DE AMOR CONCRETO



UM POEMINHA DE AMOR CONCRETO
da mesma forma que você  o pão à mesa  a mão um abraço da mesma forma que você  um aviso um acorde  um choque um chute um salto da mesma forma que você  uma carona um passo  uma força um recado da mesma forma que você  uma bronca um tapa  um duro uma gravata da mesma forma que você  a luz uma ideia  um gole uma festa da mesma forma que você dá uma rosa um beijo dá uma bala uma moeda da mesma forma que você  boa tarde boa noite boas-vindas  uma desculpa um tempo da mesma forma que você  de cara dá de frente  de ombros de bandinhada mesma forma que você não me  a mínima não me  ouvidos não me dá bola da mesma forma que você não  o melhor de si eu dou o cu meu amor e daí

[ De MARCELINO FREIRE,

extraído do livro Amar É Crime,

sábado, 1 de setembro de 2012

Lattes




Não queria música no carro.
Só queria a voz do vento.
Não queria voz de gente.
Queria voz de bicho.
Gente cansa a gente.
Bicho, não.
Eu precisava, como li nas coisas de uma menina por aí,
de um pouco de mim: uma pequena dose me bastaria.
Me satisfaria, assim.
Essa menina deve ter um lindo Lattes para escrever coisas tão lindas.
Talvez ela tenha lido muitos livros.
Talvez apenas a vida.