quinta-feira, 13 de setembro de 2012

CONTINHO ERÓTICO




CONTINHO ERÓTICO

Ela não sabia muita coisa sobre sexo. Só transava com ele. Faltava, então, uma segunda ou terceira fonte de pesquisa. Transava apenas com ele e apenas uma vez por mês. Parecia menstruação: acaba tão logo chegava. E, como menstruação, quando atrasava, ela já ficava preocupada. "O que poderia estar acontecendo? Por que não veio?" Ficava inchada, sentia dores, seu corpo reclamava aquele homem. Não, nem era o homem: seu corpo reclamava aquele corpo dentro do seu. O corpo daquele homem, que achava que "Nietzsche" era nome de alguma comida exótica.
Mas ele não veio. E o desejo, todo ele amarrotado nas gavetas. E então, então ela entendeu que era o tempo das dores. Dores do corpo e da alma. Como lidaria com isso? Porque, no desmedido da cama, se deu conta de que também não sabia muito sobre alma. Nem sobre dores. Afinal, quando elas apareciam, logo vinha ele com suas mãos, dedos e boca, língua e suores. O corpo, duro, sempre pronto a atravessá-la. Ele vinha como um presente que, sem passado, adiava a alma pro futuro.
Mas ele não veio e doeu. Então ela chorou. Muito. Nunca havia se molhado tanto assim. Assustada, apagou a luz e fugiu pra debaixo da cama, esperando aquilo tudo passar.

[Geruza Zelnys e Cleberson Dias]

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