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quarta-feira, 18 de julho de 2012


"Quando a gente se rebela contra os céus, iniquidade é um prêmio."
(Dean Wincheaster)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Marx de cu é Hegel


"Usai pretérito mais-que-perfeito, mesóclises e pronomes pessoais do caso oblíquo e palavrões pra caralho!!!"
(extraído da comunidade do Orkut "Marx de cu é Hegel")

ALFABETIZAÇÃO NA IDADE ERRADA



ALFABETIZAÇÃO NA IDADE ERRADA
JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA

Patrulho-pedagogos de nossas faculdades criam termos como 'letramento', ignoram a ciência. O aluno é Champollion com sua pedra de Roseta, diz a ideologia
Quem tem filho em escola particular sabe que a idade certa para alfabetizar é aos seis anos. Por que o MEC propõe que isso possa ocorrer aos oito anos na escola pública?
Há vários critérios para balizar uma resposta: a experiência nacional, a experiência internacional e a evidência científica.
No Brasil, escolas privadas e centenas de escolas públicas alfabetizam aos seis anos -antes no terceiro período da pré-escola, agora no primeiro ano do ensino fundamental. No plano internacional, todos os países com o sistema alfabético de escrita alfabetizam seus alunos no primeiro ano da escola formal.
Há duas exceções. Os de língua inglesa, que levam mais tempo (três anos) pela quantidade de fonemas e pela complexidade do seu código ortográfico, e os de língua francesa, que ensinam a ler no primeiro ano, mas muitas crianças ainda apresentam dificuldades no processamento ortográfico até o fim do segundo -uma palavra com o som "ô" pode se escrever o, ô, ot, au, eau, eaux...
O sistema de escrita da língua portuguesa tem complexidade média, pode ser aprendido em quase sua totalidade ao final de um ano.
E a evidência científica: a ciência cognitiva da leitura -ignorada pelas faculdades de educação e pelas autoridades educacionais, mas reconhecida como paradigma científico da área- tem suas respostas.
A Academia Brasileira de Ciências publicou um relatório sobre o tema em 2011, que valeria ser lido e levado a sério. Mas essas evidências não são levadas em conta no Brasil. É mais cômodo bater claque para tudo que vem do Planalto ou que agrada a certos ouvidos.
Por que empacamos no assunto? Porque as autoridades colocaram a raposa para cuidar do galinheiro.
Bastam poucos exemplos para ilustrar como estamos amassando barro em discussões fúteis e políticas equivocadas, que seriam superadas se a ideologia e o corporativismo cedessem lugar ao diálogo e ao debate embasado em evidências.
É bom que as autoridades políticas falem em alfabetização na idade certa. Pelo menos começam a falar do problema, depois de ter torrado bilhões em programas ineficazes de alfabetização de adultos.
Mas o gigante desperta de mau humor e se levanta com o pé esquerdo. O programa não define o que seja alfabetização e erra na idade em que se deve alfabetizar. Trata-se de inaceitável hipocrisia, pois só é aplicável aos alunos da rede pública e não aos filhos e netos dos que advogam essas políticas.
Inventam-se termos melífluos e indefinidos como "letramento" para confundir as mentes e sugerir que a aprendizagem do código alfabético é algo de segunda classe, que sequer merece ser tratado pelo próprio nome. A tal Provinha Brasil é um testemunho vivo dessa visão equivocada do que seja alfabetizar e da confusão reinante no país entre leitura e compreensão.
A inexistência de um programa de ensino onde as competências da alfabetização sejam bem definidas é o atestado da renúncia oficial em enfrentar os problemas de frente.
Até o termo "cartilha", adotado em todas as áreas pelos que desejam iniciar alguém em algum assunto, é tido como anacronismo pelos patrulho-pedagogos de plantão.
No Brasil, a pedagogia da alfabetização ficou paralisada desde a década de 1970. Jogamos fora o bebê e a água do banho. Paramos de formar professores alfabetizadores, paramos de alfabetizar as crianças, tudo em nome de uma ideologia que afirma que o aluno é um Champollion diante da pedra de Roseta, capaz de descobrir por si mesmo o código alfabético.
Tornamo-nos prisioneiros de ideias requentadas de autores há muito falecidos e que só fazem sucesso nos trópicos.
A paralisia intelectual de nossos ideo-pedagogos e a opção preferencial do MEC pelo corporativismo nos trazem vultosos prejuízos.
Para avançar em educação, o Brasil precisa romper o círculo vicioso de consultar sempre as mesmas pessoas e grupos escolhidos por critérios ideológicos, sem compromisso com evidências e resultados.
O país deve ouvir o que a ciência tem a dizer sobre o que é alfabetizar, como alfabetizar, quando alfabetizar e como saber se o aluno sabe ler e escrever. Até lá, vamos continuar a sacrificar os alunos da escola pública no altar das ideologias.

JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA, 65, doutor em educação, é presidente do Instituto Alfa e Beto. Foi secretário-executivo do Ministério da Educação (1995, gestão FHC)
FONTE - FOLHA DE SÃO PAULO - 12/07/2012

quinta-feira, 7 de junho de 2012

"Meu compromisso é com o prazer, não com a moralidade."

 (Marco Fayal)

"Siempre imaginé que el paraíso sería algún tipo de biblioteca."

(Jorge Luis Borges)

sábado, 14 de abril de 2012

Nome


 Me vês lindo porque me amas, creio eu.
Mas eu não preciso ver-te, para amar-te.
Sem teu rosto, tenho teu nome: senha do achamento e chamamento, do louvor e da súplica: vocativo.
Teu nome é doce. Em teus lábios sinto tanto sabor como quando pronuncio "doce em caldas" e penso em abóbora, pêssego, figo e mamão verde.
Teu nome obriga a língua a conhecer o céu antes de mergulhar na saliva...
 (Geruza Zelnys&Cleberson Dias)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Suicídio


... e depois de se permitir toda aquela gula, entregou-se à agua gelada do banho. Tudo era gostoso: a água gelada, o sono, a letargia e a liturgia. Sua cabeça girava ainda um tanto por causa do vinho. Ele descobriu que tinha paladar para vinho seco. Mas algo lhe chamou a atenção e, por um instante, voou no tempo e antecipou em pensamento aquele que será certeiramente o seu fatídico destino. Aquela navalha, plena de ferrugem, era tão familiar e amiga. Suicídio??? Era ainda covarde para isso. Adiou mais uma vez a morte. Ainda não era tempo. A navalha estava muito enferrujada. Se não morresse pelo sangue desvaído, seria de tétano. Tétano não estava em seus planos.

sábado, 7 de janeiro de 2012


‎"Vestem-se como putas para ir a festas (…) É a moda, que se há de fazer? E fumam baseados infindos, cheiram carreiras bem servidas, dançam punk rock, copiam modelinhos new wave, topam qualquer cantada. Trepam em pé, coito anal, coito oral, sexo grupal, masturbação sem culpa. Tão liberais, você não acha? Sou do tempo em que cabaço era documento."
 
(Caio Fernando Abreu)

O amor é filho da boemia,
por isso não conhece lei alguma.
 
(Carmem, ópera de Bizet)
 

"Assim: deixa a vida te lavrar a alma, antes, então a gente conversa. Deixa você passar dos trinta, trinta e cinco, ir chegando nos quarenta e não casar e nem ter esses monstros que eles chamam de filhos, casa própria nem porra nenhuma. Acordar no meio da tarde, de ressaca, olhar sua cara arrebentada no espelho. Sozinho em casa, sozinho na cidade, sozinho no mundo. Vai doer tanto, menino. Ai como eu queria tanto agora ter uma alma portuguesa para te aconchegar ao meu seio e te poupar essas futuras dores dilaceradas. Como queria tanto saber poder te avisar: vai pelo caminho da esquerda, boy, que pelo da direita tem lobo mau e solidão medonha."
 
(Caio Fernando Abreu - A dama da noite)